terça-feira, 5 de junho de 2007

Terrorismo Poético...




ESTRANHAS DANÇAS NOS SAGUÕES de Bancos 24 Horas.
Shows pirotécnicos não autorizados. Arte terrestre, trabalhos - telúricos como bizarros artefatos alienígenas espalhados em Parques Nacionais.

Arrombe casas mas, ao invés de roubar, deixe objetos Poético-Terroristas.

Rapte alguém e faça-o feliz. Escolha alguém aleatoriamente e convença-o de que ele é herdeiro de uma enorme, fantástica e inútil fortuna: digamos 8000 quilômetros quadrados da Antártida, ou um velho elefante de circo, ou um orfanato em Bombaim, ou uma coleção de manuscritos alquímicos.

Mais tarde, ele irá dar-se conta de que acreditou por alguns poucos momentos em algo extraordinário, e talvez, como resultado, seja levado a buscar uma forma mais intensa de viver.

A Arte do grafite emprestou alguma graça à metrôs horrendos e rígidos monumentos públicos.

A arte Poético-Terrorista também pode ser criada para locais públicos: poemas rabiscados em banheiros de tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques e restaurantes, arte xerocada distribuída sob limpadores de pára-brisa de carros estacionados, Slogans em Letras Grandes grudados em muros de playground, cartas anônimas enviadas a destinatários aleatórios ou escolhidos (fraude postal), transmissões piratas de rádio, cimento fresco...

... Uma requintada sedução levada adiante não apenas pela satisfação mútua, mas também como um ato consciente por uma vida deliberadamente mais bela: este pode ser o Terrorismo Poético definitivo.

O Terrorista Poético comporta-se como um aproveitador barato cuja meta não é dinheiro, mas MUDANÇA.

Fantasia-te. Deixe um nome falso. Seja lendário. O melhor Terrorista Poético é contra a lei, mas não seja pego.

Arte como crime; crime como arte...

[Hakim Bey]