quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Soneto do Amor Total




Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Moraes

Gozar contigo a estação das flores...



Perdoa-me visão dos meus amores, Se a ti ergui meus olhos suspirando!... Se eu pensava num beijo desmaiando Gozar contigo a estação das flores! De minhas faces os mortais palores, Minha febre noturna delirando, Meus ais, meus tristes ais vão revelando Que peno e morro de amorosas dores... Morro, morro por ti! na minha aurora A dor do coração, a dor mais forte, A dor de um desengano me devora... Sem que última esperança me conforte, Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora Morte no coração, nos olhos morte! Álvares de Azevedo

O fogo que vem de ti me contagia...



P A R A D O X O

Para se ver além das aparências,
Premente faz-se um pouco de ousadia,
Mas ao te ver ao menos por um dia,
Em mim descubro um poço de carências.

Num paradoxo de pressa e paciência,
O fogo que vem de ti me contagia.
De mim tão próxima, eu longe te sentia,
Hoje distante, te vejo com freqüência.

Por ser a vida feita de momentos,
Um eu presumo que vai acontecer:
Vejo um rosto sorrindo e vejo o mar;

Um longo beijo e a dor do sentimento,
De quem só veio ao mundo pra te ver,
Mas que tardou na vida a te encontrar...

Martinho Ferreira de Lima

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Aos afetos, e lágrimas, derramadas na ausência da dama a quem queria bem....



Aos afetos, e lágrimas, derramadas na ausência da dama a quem queria bem. Ardor em firme coração nascido; Pranto por belos olhos derramado; Incêndio em mares de água disfarçado; Rio de neve em fogo convertido: Tu, que um peito abrasas escondido; Tu, que em um rosto corres desatado; Quando fogo, em cristais aprisionado; Quando cristal, em chamas derretido. Se és fogo, como passas brandamente? Se és neve, como queimas com porfia? Mas ai, que andou o Amor em ti prudente! Pois para temperar a tirania, Como quis que aqui fosse a neve ardente, Permitiu parecesse a chama fria. Gregório de Mattos

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Arte de amar


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007


Sou feito de sentimentos, emoções, de luz, de amor! Sou a voz que você ouve quando pede um conselho! Sou quem toma você nos braços quando necessita!

Talvez, agora, enquanto lê essas palavras, eu esteja aí, ao seu lado... olhando dentro dos seus olhos como quem quisesse enxergar o que seu coração demonstra.

Mais tarde... à noite, quando você se deita... sou quem nina seus sonhos sentado ao seu lado esperando você dormir... dizendo que tudo vai ficar bem.

Se ao menos você pudesse me perceber, se notasse o que sinto ao seu lado... basta você querer, basta por alguns instantes esquecer seus problemas, fechar os olhos, como se nada mais existisse.

Deixe-me chegar perto de você... Sentir seu abraço... Sinta meu coração batendo ao compasso do seu... Sinta que não está só, nunca esteve! Apenas esqueceu de olhar mais com os olhos do seu coração... então abra os olhos... veja os meus... me conheça.

Quem sou eu pra pedir que me note? Apenas um anjo que se deixa levar por suas emoções! Que desconhece o que é errado... se entrega, se rende... vagando por estrelas, nuvens, pelo céu escuro da noite... Olhando pelos outros, despertando amores, anseios, paz nas almas que fraquejam!

Sentado ali de cima olhando você... observando você... deixando, às vezes, uma lágrima cair e se transformar em uma gota de sereno que toca seus lábios... Lágrima essa por não poder nada mais que apenas ver você... sentir sem poder tocar.Manifestando através de pequenas coisas... como um sorriso sincero nos lábios de alguém que você não conhece, o toque de uma criança acariciando seu rosto!

Palavras escritas nas páginas de um livro que te chamam atenção... Palavras que mexem e emocionam o coração... ditas do nada... Como um sussurro em seu ouvido... E se um dia uma brisa leve e suave tocar seu rosto... Não tenha medo! É apenas minha saudade que beija você, em silêncio.

Os humanos têm um hábito muito peculiar de julgar seus semelhantes por sua aparência... De rotular pessoas as quais nunca viram apenas pelo modo como ela se apresenta... porém, consigo ver dentro de cada um o que realmente são... E me assusto algumas vezes em como podem os humanos deixar se levarem por embalagens, por invólucros.

Deixar de terem muitas vezes ao seu lado verdadeiros tesouros, amizade sincera, lealdade, companheirismo... simplesmente por não terem gostado do rosto do indivíduo. Imagine uma roseira cheia de espinhos, ninguém acreditaria que dela pudesse brotar uma rosa tão bela, sensível e delicada. É do interior que nascem as flores.

Pude conhecer seu interior... me deparei com uma flor linda... e com muitas qualidades. Se preserve assim... muitas vezes é melhor sermos o que realmente somos... a viver como as pessoas acham que deveríamos ser... Não existe ninguém melhor, ou pior que ninguém... apenas diferentes umas das outras... E essas diferenças são que mostram quem realmente você é.

Fico assim... dizendo coisas que me aparecem dentro do peito contando o que se passa em mim, como se estivesse desabafando... Pois Deus nos fez para cuidar dos outros... E quem cuidará de nós? Continuarei aqui... meio que escondido, ao seu lado, olhando e sentindo você... esperando que um dia você deixe seu coração "olhar" e me ver... daí, enfim, poderia mostrar o quanto você é especial pra mim.

Um poema deixado no ar, palavras implorando para viver. Como uma estrela que o dia não vê e que espera a noite chegar para poder mostrar-se. A canção de amor que sai da sua boca... São as coisas que sempre sussurro ao seu coração... tento traduzir emoções que nunca senti antes...

Algo realmente novo pra mim, paz, atração, paixão, amor! Algo especial, sincero, verdadeiro!

(Cidade dos Anjos)

sábado, 28 de julho de 2007

Coletânea - Um projeto...


"Gostei desse cara. Uma marretada de auto-conhecimento. Ele sabe que é feio, gosdo, burro e de pau pequeno. Nesse sentido, como tornar-se pareo para o mercado amoroso? E contentar-se com a derrota, misantropia forçada pelo cosmo, seria o único desfecho. Ele diz "NÃO! Vou vivenciar a luxúria, nem que tenha que pagar por isso!". Estou comovido!"[Garmonbozia - 28/07/2007 - LP]

sábado, 21 de julho de 2007

"Al otro lado del río"


Clavo mi remo en el agua
Elevo tu remo en el mio
Creo que he visto una luz
Al otro lado del rio

El dia le irá pudiendo
Poco a poco al frio
Creo que he visto una luz
Al otro lado del rio

Sobre todo creo que
No todo esta perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
Y yo, soy un vazo vacio

Oigo una voz que me llama
Casi un suspiro
Rema, rema, rema-a
Rema, rema, rema-a

En esta orilla del mundo
Lo que no es presa es baldio
Creo que he visto una luz
Al otro lado del rio

Yo muy serio voy remando
Muy adentro sonrio
Creo que he visto una luz
Al otro lado del rio

Sobre todo creo que
No todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
Y yo, soy un vazo vacio

Oigo una voz que me llama
Casi un suspiro
Rema, rema, rema-a
Rema, rema, rema-a

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mio
Creo que he visto una luz
Al otro lado del rio


('Al Otro Lado Del Rio'

composta e interpretada पोर

Jorge Drexler para

'Diários de Motocicleta')

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Chegar na beira do abismo e resolver experimentar que gosto tem o pulo...


Rimbaud e Morrison



É triste, mas verdadeiro: a grande maioria das pessoas passa por esta vida imersa na multidão, cumprindo prazos, pagando contas, morrendo de medo do futuro e idealizando um passado remoto que é na maioria das vezes uma montoeira de seqüelas. Outros (poucos, loucos e raros) desafiam, desafinam este coro de contentes descontentes. Jean Arthur Rimbaud no séc XIX e Jim Morrison no séc XX, entre outras almas solitárias e radicais, chegaram na beira do abismo e resolveram experimentar que gosto tinha o pulo.


Pagaram caro, a ousadia de queimar em pouco tempo todos os cartuchos. Algumas coincidências, nestes percursos, são fascinantes. Anjos caídos de um inferno particular apontaram para o futuro e tocaram (sem a mínima cerimônia) os atalhos do absoluto.

Wallace Fowlie é atualmente um homem de muita idade. Nascido em 1918 é professor Emérito de Literatura Francesa da cátedra James.B. Duke da Duke University. É autor e tradutor de mais de trinta livros, dentre eles a Obra Completa de Rimbaud vertida para o inglês. Um erudito especializado em Proust, Claudel, Stendhal, Dante etc, e que nunca tinha tido sequer a curiosidade de escutar um disco de Rock'N'Roll até que recebeu uma carta curta que o deixou um tanto surpreendido: "Caro Wallace Fowlie, simplesmente queria agradecer-lhe pela tradução de Rimbaud. Eu precisava porque não leio francês tão facilmente(...) Sou cantor de Rock e seu livro me acompanha nas turnês. Jim Morrison".

No dia seguinte perguntou a seus alunos se alguém ali conhecia este cantor, para ele totalmente anônimo. A turma ficou muda e perplexa com tamanha ignorância. Ele então resolveu checar e arrumou os discos do The Doors para conferir. O fascínio com o radicalismo das letras de Morrison e a idolatria de seus alunos o transformaram em um inesperado admirador e daí em diante um estudioso de mais um poeta, mais que ao invés de ficar restrito aos livros e ao público leitor de poesia era um popstar de primeira grandeza, um ídolo de multidões ensandecidas que sonhava em ter sua obra literária reconhecida e que assim como Rimbaud dentro de muito pouco tempo ia chegar em um beco sem saída e pular fora (drop out) de tudo.

"O poeta torna-se vidente através de um longo desregramento de todos os sentidos". Isto parece saído da boca de Morrison, mas foi escrito por Rimbaud quase um século antes e estas afinidades estão bem claras no livro lançado agora aqui no Brasil chamado Rimbaud e Jim Morrison, de Wallace Fowlie (Ed Campus -2004), onde o autor faz um paralelo bastante interessante e instigante sobre as coincidências de vida e obra destes dois radicais do espírito. Bem didático e, claro, não traz muitas novidades para quem está acostumado com as duas obras, mas serve como excelente introdução para vôos maiores.

Jean-Nicolas Arthur Rimbaud nasceu a 20 de outubro de 1854 em Charleville França e entre os quinze e dezenove anos (quando abandonou a literatura) escreveu uma obra fascinante e revolucionaria, que flertou com todos os abismos possíveis e imagináveis. Precursor do modernismo, surrealismo e influenciador de multidões de escritores posteriores, é hoje o poeta francês mais lido em todo o mundo. Após esta juventude regada a absinto, loucuras variadas, um escandaloso e rumoroso caso com o laureado poeta Verlaine e de freqüentar a nata da intelectualidade Parisiense, resolve abandonar tudo e se isola na África, onde se transforma em traficante de armas e passa a viver de expedientes diversos. Em 10 de novembro de 1891 morre em Marselha em decorrência de um câncer, inteiramente desligado do cenário poético do seu tempo.

Henry Miller, mais um destes loucos radicais de seu tempo, também lhe dedicou um pequeno, mas excelente livro - A Hora dos Assassinos - um estudo sobre Rimbaud(L&PM -2004), onde faz um apanhado de sua experiência pessoal à bordo das viagens do enfant terrible do nomadismo da alma. "E dizer que foi um mero garoto que abalou os ouvidos do mundo! A aparição de Rimbaud sobre a terra não tem qualquer coisa de simplesmente milagrosa, como o despertar de Gautama ou a aceitação da cruz por Cristo ou a incrível libertação de Joana DArc? Interprete-se a sua obra como se preferir, explique-se a sua vida como se quiser, a verdade é que não há como lhe reduzir a importância. O futuro, mesmo que não exista, lhe pertence".

Pois Jim Morrison, a exemplo de Rimbaud, também é uma lenda maior do que si mesmo e foi leitor voraz de toda sua obra, assim como desta pequena jóia escrita por Henry Miller. Como não imaginar o fascínio que o radicalismo e principalmente o exílio de Rimbaud traziam a Morrison? Muitos de seus fãs mais exaltados crêem com convicção que o Rei Lagarto ainda está vivo em alguma África distante livre do desespero da disponibilidade de se pôr à beira do abismo, dos transtornos da criatividade e do desregramento de todos os sentidos. As portas da percepção quando abertas podem se tornar insuportáveis e os analgésicos para isto podem incluir as drogas ou simplesmente o abandono, seja dos atalhos escritos e descritos ou mesmo da vida, do inferno em que se meteu.

Como diz Fowlie: "Rimbaud usou a palavra inferno em sentido Teológico. Ele só queria passar uma temporada ali, porque sabia que no inferno não se tem energia para nenhuma mudança positiva. Jim Morrison entenderia o significado da palavra inferno, muito embora não a tenha usado. Ele foi um exemplo deste dom de mudança que os jovens possuem. E possuem também um olhar mais aguçado do que o dos mais velhos para o que se encontra apodrecido na sociedade e, por isso, sentem a urgência de purifica-la atacando a chaga da apatia, que impede as mudanças e o desenvolvimento de uma personalidade mais sã".

Conheci o The Doors no final dos anos 70, época em que estavam praticamente esquecidos. Era relativamente pouco comum encontrar um disco deles e mais raro ainda quem gostasse. Fiquei bastante impressionado, mas entendi muito pouco o que aquilo tudo representava. Era mais uma banda de rock onde o cantor havia morrido de overdose e só. Com o passar do tempo e os interesses se modificando, me caiu nas mãos uma tradução de Uma temporada no Inferno, Iluminações e do Barco Bêbado de Rimbaud. O impacto destas leituras foi imediato e aquelas imagens um tanto desconexas e dilaceradas foram ficando como se fossem uma tatuagem interna. O fascínio de saber que aquilo tudo tinha sido produzido por um moleque um pouco mais novo do que eu e que havia abandonado tudo me intrigava como me fascina até hoje.

Os anos 80 foram pródigos para o culto ao mito Jim Morrison. O renascimento da literatura beat, a inclusão na trilha sonora do Apocalipse Now de Coppola e a regravação de suas músicas por ídolos da época como Billy Idol e Echo & The Bunnymen foram como um rastilho de pólvora e um fósforo. Ao perceber as influências de Niezstche, Huxley, Blake, etc, e principalmente ao conhecer seus poemas no disco póstumo An American Prayer me tornei um fã exaltado. Em pouco tempo estavam disponíveis e relançados todos seus discos e inúmeros livros, biografias e a tradução de seus poemas. O filme de Oliver Stone só fez expandir esta idolatria pelos quatro cantos do mundo. As romarias a seu túmulo no Pere-Lachaise demonstram isso. Seus discos vendem bastante ainda. Jim Morrison e suas calças de couro se transformaram em um ícone da rebeldia juvenil, assim como os pôsteres de Lennon, Guevara, James Dean e Marilyn Monroe. Uma bela estampa para camiseta. Vejam só a ironia terrível do destino. O cordeiro que se imolou em busca do mel escondido atrás do arco íris, que se jogou de frente contra todos os mercantilismos, se tornou depois de morto uma mercadoria altamente rentável.

Cadáver insepulto, seja pelos chamados da galera que joga vinho e baseados em sua última morada como no renascimento da banda (cover de si mesma) que Manzarek e Krieger resolveram montar com Ian Astbury emulando uma espécie de fantasma da ópera. Sei que passaram por aqui, mas resolvi não conferir, creio que fosse me decepcionar.

Rimbaud foi para Morrison uma imagem, uma meta recorrente, talvez Paris tenha sido a sua África, um porto distante, o preparo para um salto que o faria sair da obra e cair na vida. Parece que não deu tempo.

"O tédio não é mais meu amor. O furor, a devassidão, a loucura, dos que conheço todos os impulsos e calamidades - Todo meu fardo foi arriado. Apreciemos sem vertigens a extensão de minha inocência".
Rimbaud

"Já não temos dançarinos, os possessos.
A clivagem dos homens em atores e espectadores
É o fato crucial do nosso tempo. Obcecam-nos
Heróis que por nós vivem e nós punimos.
Ah! Se todas as rádios e televisões fossem
Desligadas, e todos os livros e quadros
Queimados já, todas as salas de espetáculos encerradas...
Essas artes de viver por procuração...

Contentamo-nos com a oferta, na nossa procura de
Sensações.Deu-se a metamorfose do corpo enlouquecido
Pela dança nas colinas num par de olhos
Rasgando as trevas.
Jim Morrison

Para nós o que sobra? Algumas trilhas e um par de enigmas. Quantos caminhos nos levam para a África de cada um ou para o frio de amanhecer dentro de uma banheira em Paris?

Se a "punição" é seguir em frente, alguns abandonaram, pela intensidade, no meio. Queimaram rápido demais e as cinzas continuam no ar. Apontando onde seguir.

Como já disse, os ardores do futuro antevisto são para loucos, poucos e porque não... raros.

[C. Vigo]

terça-feira, 5 de junho de 2007

Terrorismo Poético...




ESTRANHAS DANÇAS NOS SAGUÕES de Bancos 24 Horas.
Shows pirotécnicos não autorizados. Arte terrestre, trabalhos - telúricos como bizarros artefatos alienígenas espalhados em Parques Nacionais.

Arrombe casas mas, ao invés de roubar, deixe objetos Poético-Terroristas.

Rapte alguém e faça-o feliz. Escolha alguém aleatoriamente e convença-o de que ele é herdeiro de uma enorme, fantástica e inútil fortuna: digamos 8000 quilômetros quadrados da Antártida, ou um velho elefante de circo, ou um orfanato em Bombaim, ou uma coleção de manuscritos alquímicos.

Mais tarde, ele irá dar-se conta de que acreditou por alguns poucos momentos em algo extraordinário, e talvez, como resultado, seja levado a buscar uma forma mais intensa de viver.

A Arte do grafite emprestou alguma graça à metrôs horrendos e rígidos monumentos públicos.

A arte Poético-Terrorista também pode ser criada para locais públicos: poemas rabiscados em banheiros de tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques e restaurantes, arte xerocada distribuída sob limpadores de pára-brisa de carros estacionados, Slogans em Letras Grandes grudados em muros de playground, cartas anônimas enviadas a destinatários aleatórios ou escolhidos (fraude postal), transmissões piratas de rádio, cimento fresco...

... Uma requintada sedução levada adiante não apenas pela satisfação mútua, mas também como um ato consciente por uma vida deliberadamente mais bela: este pode ser o Terrorismo Poético definitivo.

O Terrorista Poético comporta-se como um aproveitador barato cuja meta não é dinheiro, mas MUDANÇA.

Fantasia-te. Deixe um nome falso. Seja lendário. O melhor Terrorista Poético é contra a lei, mas não seja pego.

Arte como crime; crime como arte...

[Hakim Bey]

segunda-feira, 4 de junho de 2007


De manhã escureço De dia tardo De tarde anoiteço De noite ardo

(Vinícius de Moraes)

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Inicio...



O meu silêncio é uma catedral
de assombros,onde sussurram
antepassadas vozes,onde repousam
antepisadas pedras.
A minha prece é feita de silêncios -
se derramo palavras,transbordo as ausências
que me povoam.
Entre minhas mãos,infinitos espaços de tempo.
A um passo de mim é onde sempre me encontro
e não me alcanço.